Marca Passo 3 - Fogueira das Maravilhas

4.4.2014

Estar na fogueira é uma expressão de origem paleolítica, tipo quando dois barbudos desconhecidos e sem muito tato se encontravam num buraco escuro de uma mata selvagem mortífera com o bucho cheio de ar, e de repente, só uma lagartixa... estar na fogueira é ter que fazer o que deve ser feito, ao vivo. Exige uma tamanha sintonia com cosmo, é a própria meditação, quando todas as suas células estão voltadas para o mesmo foco, há tensão, mas também catarse, sentimentos que se intercalam com a passagem dos frames da existência. Agora, viver na fogueira, já é outra coisa, está mais para esportes radicais, é opção. Bem, ás vezes. Quando você se dispõe a abraçar um novo repertório a cada semana com parceiros distintos, é quase como ignorar a lagartixa e partir pra cima do barbudo, opa, esquecendo isso...

 

Isso tudo é mais uma coisa esplêndida da arte. A facilidade do arriscar-se. O estado de alerta é real, no entanto, uma vez conectado, o tempo se transforma nítido, o artista, quando se coloca à disposição do tempo agora, transpira o inexplicável. A música desabita a tela, o disco, o rádio - ela é a vida no momento de cada uma dos músicos que a apresentam. As incertezas harmônicas e/ou rítmicas, impelem o sujeito a percorrer improvisado, cada qual com sua bagagem, cada qual com seu sorriso e admiração pelos que percorrem juntos. A música não foi feita naquele instante, ela se iniciou num ponto desconhecido que abriga o primeiro contato do barbudo ou da lagartixa com a arte.

 

Olhar o tempo, se perceber incluso e complementar, e ainda ter a chance de ser completado por energias tão distintas, faz do Marca Passo um para-raios do desconhecido. A ideia é que, em qualquer momento, nem seja preciso indicar o próximo visitante da fogueira, pois a alta temperatura já será a Marca desse novo Passo da Brasília Maravilha!

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